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J.K. Rowling é acusada de transfobia ao defender mulher demitida após criticar identidade de gênero

Em uma rede social, Maya Forstater publicou que "homens não podem se transformar em mulheres"

Redação Publicado em 19/12/2019, às 12h08

J.K. Rowling foi acusada de transfobia após defender mulher que escreveu que "homens não podem se transformar em mulheres"
J.K. Rowling foi acusada de transfobia após defender mulher que escreveu que "homens não podem se transformar em mulheres" - YouTube

Autora da saga Harry Potter, J.K. Rowling virou notícia na manhã desta quinta-feira (19) e não foi por bons motivos: a escritora foi acusada de transfobia por defender Maya Forstater, uma mulher demitida após publicar, no Twitter, que "homens não podem se transformar em mulheres".

Em seu próprio Twitter, Rowling escreveu: "Vista-se como quiser, chame-se do que gostar, durma com qualquer adulto que consinta e queira você. Viva sua melhor vida em paz e segurança. Mas forçar mulheres a deixarem seus trabalhos por afirmarem que sexo é real?", acompanhadas das hashtags #IStandWithMaya (Eu apoio a Maya) e #ThisIsNotaDrill (Isso não é uma brincadeira).

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Não demorou para que a autora, que tem estado ausente das redes sociais no último ano, começar a receber diversas respostas em relação ao seu comentário, muitos deles dizendo que a escritora estava sendo transfóbica.

Uma usuária, identificada como Julia Worcester (@julia_worcester), respondeu à publicação: "Isso é muito ruim e cruel. Você deveria estar envergonhada de promover compaixão e igualdade nos seus livros e então trair os seus leitores trans e incentivar violência e ódio contra mulheres trans", escreveu.

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Outra usuária, Avery Edison (@aedison), chegou a fazer uma comparação usando a saga Harry Potter: "Eu não costumo me basear nos seus livros para analogias políticas, porque eles são para crianças, obviamente, mas eu acho que é apropriado fazer uma exceção nesse caso: você acabou de se juntar aos Comensais da Morte", declarou Avery, referindo-se aos seguidores de Lord Voldemort, o grande vilão da saga do menino bruxo.

Mais pessoas também se mostraram decepcionadas e relataram suas experiências com Rowling: "Minha filha, que é trans, é uma grande fã sua. Parte o meu coração vê-la postar algo indicando que discrimação contra ela é um comportamento perfeitamente normal para um funcionário", escreveu Amanda Jetté Knox (@MavenOfMayhem). "As organizações médicas mais reconhecidas do mundo afirmam pessoas trans. Por favor, atualize-se."

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ENTENDA O CASO

De acordo com o Metro, em setembro de 2018, à época empregada pelo Centro de Desenvolvimento Global (Centre for Global Development), uma organização internacional que luta contra a pobreza e a desigualdade, Maya Forstater escreveu em sua conta no Twitter:

"Por que estou tão surpresa por pessoas inteligentes que admiro, que são absolutamente pró-ciência em outras áreas e campeãs em direitos humanos e direitos das mulheres, estão se enrolando para evitar dizer a verdade de que homens não podem se transformar em mulheres (porque isso poderia machucar os sentimentos dos homens)?"

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Por esse motivo, a pesquisadora acabou demitida e levou o caso aos tribunais, que julgou a questão contra ela. Segundo o Independent, em sua sentença, o juiz James Tayler considerou a declaração de Forstater "absolutista" e declarou que ela não tinha o direito de ignorar os direitos legais de pessoas transexuais e "a enorme dor que pode ser causada por errar o gênero de uma pessoa trans":

"Se uma pessoa transicionou de homem para mulher e tem um Certificado de Reconhecimento de Gênero (Gender Recognition Certificate), essa pessoa é legalmente uma mulher", declarou. "Isso não é algo que a senhora Forstater tem o direito de ignorar. A posição da senhora Forstater é a de que mesmo que uma mulher trans tenha o GRC, ela não pode se descrever honestamente como uma mulher. Essa crença não é respeitável em uma sociedade democrática".

 


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