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Pride » luta

22 artistas brasileiros que apoiam a causa LGBTQIA+ sem pensar em pink money

Listamos os artistas que apoiam a comunidade sem se importar com o dinheiro que poderia conseguir com isso

Giovanna Bronze Publicado em 09/06/2019, às 09h49 - Atualizado às 15h41

Daniela Mercury e Lulu Santos.
Reprodução/Instagram

Conhece o termo “pink money”? Ele se refere a quando um artista ou marca usa as cores do arco-íris e se diz pró-LGBTQIA+ só para vender mais. É o que muita gente acusa as marcas mais famosas do mundo de fazerem em junho, considerado o mês da luta LGBTQIA+.

Junho é importante para a comunidade por conta da Revolta de Stonewall, que marcou a primeira vez que o grupo oprimido por sua orientação sexual resolveu se levantar contra as duras repressões que sofriam na década de 60, em junho de 1969. Na época, policiais atacavam bares gays e espancavam as pessoas que estavam ali.

Desde então, muita coisa mudou e a luta da comunidade LGBTQIA+ avançou bastante, mesmo que o discurso de ódio ainda exista e seja facilmente disseminado nas redes sociais.

Mas não é só em junho que alguém pode tentar conseguir o pink money: esse dinheiro rosa pode ser conseguido por artistas que nunca demonstram publicamente apoiar a comunidade, mas que usa membros dela em clipes como uma maneira de conseguir visualizações - como é o caso das acusações contra Nego do Borel, por exemplo, que fez, no ano passado, o clipe Me Solta, em que aparece vestido de mulher e beijando outro homem, mas foi abertamente transfóbico contra Luisa Marilac no Instagram.

Por isso, e para celebrar a Revolta de Stonewall e o mês mais importante da comunidade LGBTQIA+, separamos aqui alguns artistas que realmente mostraram apoiar e lutar pela comunidade, sem pensar se essas atitudes poderiam ou não render dinheiro. Muitos deles, inclusive, são mulheres trans, travestis, homens gays, mulheres e até mesmo pessoas heterossexuais, que lutam por igualdade e por direitos humanos.

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Nesta lista, não há políticos; mas no site Congresso em Foco, é possível ver os candidatos políticos que, de acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais em 2016, apoiam a comunidade LGBTQIA+. E, dessa maneira, você já pode se preparar para votar nas próximas eleições em pessoas que realmente lutam pelos direitos da comunidade LGBTQIA+.

Confira a lista dos artistas brasileiros que apoiam a causa LGBTQIA+, e sem pensar no pink money, ainda mais porque muitos deles fazem parte da sigla:

Daniela Mercury

Uma das rainhas do axé, Daniela Mercury, é militante dos direitos LGBTQ+ e atua ativamente na comunidade desde sempre, mas principalmente desde 2013, quando ela assumiu seu namoro (que virou casamento no mesmo ano) com a jornalista Malu Verçosa.

Em um evento da ONU, Daniela Mercury disse a principal diferença desde que assumiu o casamento e deu seu testemunho para combater a homofobia: “Falar da gente mesmo, acho que essa é a grande diferença. Usar o nosso testemunho pessoal, falar do cotidiano de nossas vidas, eu acho que esse é o elemento transformador. E usar o nosso amor como exemplo de que a sociedade precisa mudar rapidamente o seu olhar sobre as famílias homoafetivas e acolher toda a diversidade da sociedade”.

No dia dos namorados deste ano, Daniela irá, inclusive, lançar uma música com sua esposa. Só amor pela rainha baiana, né?

Lulu Santos

O eterno romântico Lulu Santos encontrou em Clebson Teixeira o amor da sua vida. Ele assumiu o relacionamento nas redes sociais e o namoro dos dois viralizou.

Em um post do Instagram, Lulu falou sobre quando ele decidiu expor o namoro: "Ter exposto minha orientação afetiva/sexual nos dias d hj talvez tenha sido o ato mais político d minha vida e tb obra. Amanhã sai Pra Sempre, o álbum d casamento q narra o passo a passo desta relação, as estações da paixão.  Provavelmente são as melhores e mais emocionantes canções q fiz nos últimos anos pq motivo e assunto ñ me faltaram."

Lulu e Clebson se casaram e o cantor contou no Instagram que queria que o termo de união estável fosse válido a partir do dia 6 de maio: "Pedi para que fosse válido a partir de 6 de maio, porque nasci no 4 e achei justo que renascesse logo em seguida."

A primeira prova de amor que Lulu fez antes do lançamento do álbum de casamento foi lançar a música Orgulho e Preconceito, a qual diz: "Esta canção é pra você nunca mais ter que sussurrar quando diz que me ama; Pra te libertar de todo julgamento alheio; Pra você poder dizer sem receio: Eu te amo".

No final da apresentação da música, ele sempre se vira para Clebson, que está o assistindo de frente pro palco e diz: "Clebson, eu te amo".

Pabllo Vittar

Pabllo é a drag queen mais seguida no mundo (superou RuPaul em milhões) e, além de pregar amor, igualdade e lutar pelos direitos dos gays, a cantora leva em suas turnês a sua mensagem.

A cantora já deu diversas entrevistas em que ela defende a luta contra a homofobia e compartilha sua experiência como crescer gay em um país que mata tantos LGBTQ+s, Pabllo também fez uma doação vital para que a Casa 1, que acolhe a LGBTQs em situação de vulnerabilidade, continuasse funcionando.


 
Gloria Groove

Além de ter feito a música Interlúdio (Gay), onde Daniel Garcia faz um rap sobre crescer gay, a drag queen Gloria Groove é um exemplo de luta pelos direitos LGBTQ+, se apresentando anualmente na Parada do Orgulho LGBTQ+ e sempre falando sobre a importância de dar a voz para a comunidade.

Liniker, de Liniker e os Caramelows

A cantora Liniker é um exemplo de representatividade na música brasileira. Seu próprio ato de estar em um palco é um ato político, como ela própria diz. 

Liniker é engajada nas lutas contra o racismo e contra a homofobia. Nos shows da banda, a vocalista sempre faz fortes e bonitos discursos sobre resistência e diversidade.

Raquel Virgínia e Assucena Assucena, de As Bahias e a Cozinha Mineira

Liderada por duas mulheres trans, Raquel Virgínia e Assucena Assucena, a banda é um dos grandes destaques do atual cenário da música brasileira e trata sobre os temas das lutas LGBTQ+ em suas letras e na militância pela comunidades.

Linn da Quebrada

Transexual, a Linn da Quebrada busca quebrar padrões e dar visibilidade à comunidade LGBTQ, além de falar sobre ser gay na periferia e ser uma das artistas que mais faz barulho no funk. 

“Tudo que a gente faz é politica. A roupa que eu escolho para sair na rua é política, a escolha de sair maquiada ou não também. Cada palavra que eu digo numa musica ou numa conversa informal é política, tem efeitos e diz respeito a uma atitude, a um posicionamento”, disse ela em uma entrevista para o G1.

Lia Clark, Mulher Pepita e Aretuza Lovi

Assim como Linn da Quebrada, a drag queen Lia Clark escolheu o funk, um meio considerado machista por ter mais homens cantando e letras que costumam subjulgar a mulher.

Lia se apresenta em Paradas LGBTQs no país inteiro, espalhando uma mensagem de representatividade e igualdade, assim como a cantora Mulher Pepita, que também possui um discurso política de luta pelos direitos humanos em suas apresentações e falas.

Aretuza se junta no grupo das drag queens que estão dominando a cena do pop brasileiro, trazendo representatividade e mostrando que existe espaço para ser ocupado pro drags e por pessoas LGBT"s sim.

Nany People, Silvetty Montilla e Salete Campari

As três drag queens são das mais renomadas no Brasil, com grande espaço na mídia e trazendo visibilidade para a causa. Elas lutam por igualdade e por direitos LGBT há anos.

Recentemente, Silvetty Montilla teve uma peça para apresentar a grande história de sua vida, enquanto Salete Campari lançou um bloco de Carnaval em São Paulo que desfilou durante todos os dias da festa. Já Nany People brilhou na novela da TV Globo.

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Johnny Hooker

Um dos maiores nomes da nova MPB, Johnny Hooker traz visibilidade além de militar pela causa LGBTQ+, lutando por igualdade e falando sobre suas histórias de amor em suas letras.

Junto com Liniker, ele lançou a música Flutua, na qual fala que ninguém irá lhes dizer como amar.

Caetano Veloso

Um dos maiores cantores da história do Brasil, Caetano Veloso nunca hesitou em mostrar suas opiniões políticas, mesmo durante a dura repressão da Ditadura Militar.

O cantor sempre lutou pela defesa dos direitos humanos e ambientais. Em seus shows, ele já fez diversos discursos poderosos sobre igualdade e sobre a resistência das minorias.

Karol Conká

Se é pra tombar preconceito, Karol Conká já toma a frente. Uma das pessoas mais legais da música, Karol Conká sempre fala sobre igualdade e luta contra a opressão em seu discurso, militando pelos direitos das mulheres, dos negros e da comunidade LGBT.

Gaby Amarantos

A cantora Gaby Amarantos fala sobre igualdade, marca presença em eventos LGBTQ e já foi até a Parada de Nova York.

Durante as eleições do ano passado, a artista cobrou os que não se manifestaram em defesa da comunidade LGBT: “Ninguém é obrigado a nada, mas a partir do momento que você usa a bandeira do movimento LGBTQI e diz que os ama, você deveria no mínimo se importar com suas vidas, mesmo em relação à Amazônia ou aos índios. Dizer que ama é fácil, mas abraçar em público não por medo de perder seguidor?”.

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Silva

O cantor Silva fala bastante sobre os direitos LGBTQ+ e, quando lançou a sua música Feliz e Ponto, ele deu um grande passo com representatividade bissexual na música brasileira.

Rico Dalasam

Rapper negro e gay, Rico Dalasam usa a música como uma maneira de falar sobre crescer gay na periferia e como é ser gay e negro em uma sociedade homofóbica e racista.

Em 2014, ele ficou conhecido pelo país inteiro com a sua faixa Aceite-C, que prega exatamente a auto aceitação. Em entrevista ao jornal O Dia, ele deu detalhes sobre isso: "Eu sempre tive um discuros sobre aceitação, saca? Durante a vida, primeiro fui encontrar o meu orgulho de ser negro, depois fui encontrar o orgulho de ser gay. Eu sou uma pessoa formada de várias minorias."

Marina Lima

Bissexual, a cantora Marina Lima sempre fala sobre os direitos LGBTQ+, já acompanhou o ex-deputado Jean Wyllys em debates sobre o fim da ideia de uma "cura gay", além de ter rebatido publicamente a declarção de um secretário do Vaticano contra o casamento gay.

Fafá de Belém

Fafá de Belém é um ícone do Norte e já mostrou seu apoio a todas as formas de amar. Uma das maiores provas que ela já deu foi quando cantou no casamento coletivo no Recife, no dia 18 de dezembro de 2018, realizado por ONGs como Mães Pela Diversidade.

Depois que ficou sabendo da cerimônia coletiva que casaria 150 casais homossexuais, Fafá de Belém se ofereceu para cantar para os noivos e seus convidados na festa.

Em entrevista para Ancelmo Gois, do jornal O Globo, na época, Fafá disse: "É uma honra poder participar de uma cerimônia fraterna e generosa como essa."

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Lembrando que você NÃO precisa ser artista ou celebridade para ajudar a comunidade LGBTQ+. Confira alguns espaços e casas que ajuda na luta para os quais você pode doar: 

SÃO PAULO: Não precisa ser a Pabllo Vittar para doar para a Casa 1, casa que acolhe pessoas da comunidade que foram expulsas de casa, você pode fazer isso hoje mesmo! Confira o site deles e descubra como você pode ajudar. Você também pode contribuir com a Casa Florescer, o centro de acolhimento para mulheres trans e travestis em situação de rua, que fica na Armênia.

RIO DE JANEIRO: No Rio, é possível contribuir para a Casa Nem, que recebe pessoas LBTQ+ em situação de vulnarebilidade, além de ter projetos voltados exatamnete para a comunidade. Outra opção é a ONG Grupo Arco-Íris.

BAHIA: Em Salvador, existe o Grupo Gay da Bahia. Fundado em 1980, a associação atua na defesa dos direitos LGBTQ+ e é a responsável por alguns dos principais levantamentos sobre homofobia no país.

Você pode conferir mais associações e grupos que lutam pelos direitos LGBTQ+ e para os quais você pode contribuir na lista disponibilizada no site da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).