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Além de RuPaul e das queens de 'Drag Race': conheça mais drag queens que fizeram história

Reality Show lançou drag queens mundo afora mas só fez crescer uma tradição que já era forte

Saulo Tafarelo Publicado em 28/06/2019, às 15h29 - Atualizado às 16h08

Além de RuPaul e seu reality, outras drag queens fizeram e ainda fazem história
Além de RuPaul e seu reality, outras drag queens fizeram e ainda fazem história - Reprodução/Instagram

O primeiro episódio de RuPaul’s Drag Race foi ao ar no dia 2 de fevereiro de 2009 na televisão americana. De lá pra cá, muita coisa mudou no mundo drag queen e LGBT+, sendo que o reality ganhou sucesso internacional e ajudou a catapultar a fama das drag queens que passaram pela competição.

Porém, o programa americano que passou a ser parte da cultura mainstream só pôde ser idealizado e transmitido devido a uma tradição drag que já vinha de tempos atrás. RuPaul Charles, a própria fundadora do programa que leva seu nome, é uma das drag queens proeminentes da década de 1980 e 1990 que lutaram contra o preconceito e amplificaram a cultura drag. 

Outras drag queens vieram antes e pavimentaram os caminhos de RuPaul e das consequentes artistas. No Brasil, transformistas e drag queens não ficam restritas apenas às novas gerações, mas também lutaram no passado para serem reconhecidas e possuem um papel fundamental no movimento LGBT+ no país. 

Assim, o estopim para o reconhecimento e para a luta dos direitos civis da comunidade LGBT+ teve ampla ajuda das drags queens. Nas primeiras horas de 28 de junho de 1969, uma batida policial de surpresa no bar Stonewall Inn, em Nova York, foi a gota d’água para a famosa rebelião de Stonewall

O bar era frequentado por indivíduos LGBT+ e a repressão policial era frequente. Marsha P. Johnson, auto identificada como uma drag queen, é uma das figuras que entraram para história ao lutar de frente contra tal repressão, sendo uma das pessoas mais importantes do movimento junto de Sylvia Rivera. Exatamente um ano depois, em 1970, várias paradas da comunidade LGBT+ foram organizadas ao redor dos Estados Unidos em comemoração à revolta de Stonewall, marcando assim o dia internacional do orgulho LGBT+. 

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Conheça abaixo 8 drag queens que fizeram história no movimento LGBT no Brasil e também mundo afora: 

Gypsy 


James “Gypsy” Haake se diz a mais velha drag queen em atividade hoje em dia. Com 87 anos, começou a carreira drag aos 50 após deixar de lado o trabalho no show business. Anteriormente, já trabalhou como ator ao lado de Mel Brooks e Jane Fonda. Recentemente, foi uma das estrelas que estiveram no clipe Younger Now de Miley Cyrus, aparecendo também na apresentação da música ao vivo no VMA de 2017.

Lady Bunny


Ao lado de RuPaul, Lady Bunny é uma das mais conhecidas drags da cena nova-iorquina, conquistando a fama a partir da década de 1980. Já foi, inclusive, convidada especial do programa de RuPaul’s e é frequentemente lembrada ao longo das temporadas. Já atuou em filmes como Baladas em NY (1995), sendo o primeiro longa a ser lançado na internet,  e Another Gay Movie (2006).Também foi fundadora do Wigstock, festival drag vanguardista, que durou de 1985 a 2005. Fez uma aparição num episódio de Sex And The City e já lançou singles, como The Pussycat Song e Shame, Shame, Shame!.

No último dia 24, Lady Bunny ganhou um documentário pela HBO, intitulado Wig. O filme já está disponível no serviço de streaming HBO Go. 

Tchaka


Conhecida como a “rainha das festas”, Tchaka é brasileira e formada em direito. Drag há cerca de 19 anos, ela se descreve como multimídia: faz palestras, participa de festas de empresas, faz casamentos, é presença obrigatória na parada e também usa seu talento como ativista da causa LBGT+. Já participou de vários programas da TV brasileira, como Domingão do Faustão (Globo) e jurada do Quem Convence Ganha Mais (SBT), além de ter  subido aos palcos com a peça As Vizinhas.

Silvetty Montilla


Considerada uma das mais conhecidas artistas LGBT do país, Silvetty também atua, canta, dança e é apresentadora. Em atividade desde 1987, subiu aos palcos pela primeira vez em 1998 com peça Cindy ou Fregi e desde então foi também para o cinema e para a televisão. É apresentadora do reality Academia de Drag, largamente inspirado em RuPaul’s Drag Race, disponibilizado no YouTube. Em 2018 deu voz à personagem Vedete Champagne na animação brasileira Superdrags, da Netflix.

Marsha P. Johnson


Marsha é considerada uma das figuras mais importantes na luta dos direitos LGBT+, cujo estopim foi a rebelião de Stonewall, em 1969. Conhecida em Nova York na cena artística e cultural, Marsha foi membro da Frente de Libertação Gay, além de importante ativista trans e da luta contra AIDS. Fez parte também da trupe de drag queens chamada de Hot Peaches, sendo que era uma mulher trans que se auto-identificava como drag queen. 

A história da drag queen é contada num documentário disponível na Netflix, A Morte e Vida de Marsha P. Johnson

Divine


A drag queen, atriz e cantora ficou famosa sendo parte da cena da contracultura, que ebuliu nos Estados Unidos a partir de 1960. Divine fez parte da trupe conhecida como Dreamlanders, elenco recorrente nos filme do diretor John Waters. Foi aclamada a partir de 1972, com o lançamento do filme underground Pink Flamingos. Atuou também na versão original de Hairspray em 1988. Foi eleita pela revista People como “a drag do século” e foi uma importante figura para o cenário cult e LGBT+, servindo até hoje como inspiração para novos trabalhos. Faleceu em 1988, aos 42 anos. 

Lavern Cummings 


Nascida em 1927, Lavern Cummings é uma das mais importantes drags do século XX. Performou por décadas no conhecido clube noturno Finnochio’s, em São Francisco. Era conhecida por cantar com uma voz adaptável, atingindo notas soprano e tenor. Porém, ficou marcada por seu cabelo longo natural, sem precisar usar uma peruca para performar. Foi reportado que Lavern morreu em 2018. 

Linda Simpson


Ao lado das já citadas RuPaul e Lady Bunny, Linda Simpson ficou conhecida a partir da década de 1980. É conhecida como multifacetada, atuando como performer no cenário noturno, aparecendo na mídia americana e como uma documentarista drag. É organizadora de uma coleção valiosa de fotos e outros documentos autorais sobre a cena drag nova-iorquina das décadas de 1980 e 1990, sendo fundadora do The Drag Explosion, site na qual pode-se ver suas obras. Sua biografia em seu site e em suas redes sociais diz: “Drag Queens vêm e vão, mas apenas poucas sobrevivem a prova do tempo.”

Rrose Sélavy

O famoso artista dadaísta Marcel Duchamp foi uma das primeiras pessoas famosas a assumir um alter ego feminino, ainda na década de 1920. Sob o nome de Rrose Sélavy, a obra viva de Marcel apareceu em 1920 como Rosé Selavy e apenas um ano mais tarde outro ''r'' foi adicionado ao nome. Tido como o inventor das obras de arte readymade, Marcel foi eternizado como Rrose Sélavy através das fotografias do fotógrafo de moda Man Ray, que também foi um dos fundadores do movimento dadaísta em Nova York.

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