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'Drogas de Brasília não afetam as da série', brinca Fernando Meirelles sobre 'Pico da Neblina', que imagina maconha legalizada

Série 'Pico da Neblina', que traz história de traficante após legalização da maconha, estreia no dia 4 de agosto na HBO

Pedro Rocha Publicado em 24/07/2019, às 15h22 - Atualizado às 16h39

Luis Navarro e Henrique Santana em cena de 'Pico da Neblina', da HBO
Luis Navarro e Henrique Santana em cena de 'Pico da Neblina', da HBO - Divulgação/HBO

Num momento em que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro pede "filtro" na Agência Nacional do Cinema (Ancine), após criticar a liberação de verbas para filmes como Bruna Surfistinha, o canal HBO estreia uma polêmica série nacional que imagina um Brasil em que a comercialização da maconha é legalizada. Pico da Neblinachega às telinhas no dia 4 de agosto. 

Para evitar controvérsias, a HBO Brasil deixou bem claro nesta quarta-feira (24), ao apresentar a série num evento para a imprensa, em São Paulo, que a produção não contou com verba pública. "Essa série foi feita com 100% de recursos próprios da HBO", afirmou o vice-presidente corporativo de produções originais da empresa na América Latina, Roberto Rios. 

Na mesma mesa, estava presente Fernando Meirelles, que dirigiu alguns episódios da série, criada por seu filho, Quico, que atua como diretor-geral da produção. "As drogas de Brasília não afetam as drogas da série", brincou o cineasta, indicado ao Oscar por Cidades de Deus, sobre a polêmica. 

Pico da Neblina mostra a vida do traficante de maconha Biriba (Luis Navarro) quando comercialização da maconha é legalizada no Brasil, num cenário imaginário, quase distópico. A questão da maconha, porém, serve apenas de pano de fundo para mostrar a nada fácil realidade da periferia de São Paulo. 

"É um ponto de partida da história, mas a série não mostra todo o debate que a sociedade teve até chegar na legalização. Serve apenas como o detonador de toda a série", explicou Quico sobre a discussão do tema das drogas na série. "A gente não debate muito de maneira objetiva, mas sim através de opiniões de personagens, sejam pró ou contra."

O diretor-geral da trama revela que a ideia da série surgiu por volta de 2013. Na época, ele achou que, quando a produção finalmente chegasse à TV, a maconha poderia, de fato, estar legalizada no país. "Desde o ano passado tivemos uma guinada para outro lado e agora parece algo impossível", declarou Quico na coletiva de imprensa. 

Para imaginar um possível futuro onde a legalização fosse possível, a equipe de roteiristas se baseou no modelo americano, implantado em estados como a Califórnia, que viabilizaram o comércio da maconha. 

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Mundo real

Apesar da imaginação ter rolado solta para pensar como seria um Brasil com comércio legal de maconha, a situação da periferia de São Paulo mostrada na série é altamente realista. O ator Henrique Santana, nascido e criado na periferia da Zona Leste, e que na série vive o traficante Salim, afirma que a sua história quase foi a do personagem. "Se eu não fosse o Salim na ficção, é possível de que eu fosse na realidade", repetiu na coletiva uma frase que ele disse para Fernando Meirelles assim que conseguiu o papel. 

Emocionada, a atriz Leilah Moreno, que vive a irmã de Biriba, mãe solteira de duas meninas, acredita que muitas pessoas vão se identificar com os personagens da série, em especial as femininas. "Retrata a minha família, a minha mãe. Eu me vi personagem da minha filha", afirmou ela, que geralmente é chamada para fazer papéis musicais. "Achava que seria algo totalmente diferente, mas acabei caindo na minha casa. Muita gente que nunca teve voz e não apareceu vai se identificar."

A série traz três protagonistas masculinos: além de Biriba e Salim, Pico da Neblina tem em destaque o personagem Vini, vivido por Daniel Furlan. Vini, ex-cliente de Biriba, se torna sócio dele quando o traficante decide investir num negócio legal de maconha. 

No piloto, já exibido à imprensa, a participação das personagens femininas é muito baixa. A promessa, porém, é que a coisa mude de figura. "A família do Biriba é toda feminina, desde as meninas pequenininhas até a mãe dele. A representatividade é fora do normal, ela mexeu comigo e vai mexer com as mulheres", garantiu Leilah. 

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No piloto não é mostrado – a atriz Renata Carvalho aparece apenas rapidamente –, mas Fernando Meirelles revelou, ao final da coletiva, que a série terá uma personagem feminina no núcleo do tráfico – e justamente uma mulher trans. 

Pico da Neblina estreia no dia 4 de agosto simultâneamente em mais de 70 países pela HBO. No Brasil, a exibição será às 21h. 

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