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5 motivos que fazem de 'Big Little Lies', que chega ao fim neste domingo, uma série icônica

Segunda temporada de 'Big Little Lies' é, provavelmente, a última da série

Saulo Tafarelo Publicado em 20/07/2019, às 09h36 - Atualizado às 10h37

Big Little Lies
Big Little Lies - Divulgação/HBO

A primeira temporada de Big Little Lies estreou em 2017 na HBO e, de lá para cá, muita agitação ocorreu na pacata cidade de Monterey, na Califórnia, local onde a trama se passa. Com a segunda (e provável última) temporada aterrisando com tudo em 2019, bastou pouco tempo para sabermos que a série já se transformou num fenômeno cultural, com um show de atuações vindas de um elenco de primeira qualidade.

Baseada na obra de mesmo nome de Liane Moriarty, as duas temporadas nos mostraram que a história foi traduzida e adaptada numa incrível trama audiovisual, na qual mergulhamos de cabeça no cotidiano das cinco mulheres centrais da série, grupo apelidado de The Monterey Five.

A primeira temporada foi aclamada pela crítica e pelo período de premiações de 2017. Ao todo, ganhou oito prêmios Emmy, incluindo de Melhor Série Limitada, ganhando também outros quatro Globos de Ouro, incluindo Melhor Atriz em Minissérie por Nicole Kidman. 

Mas, além de todo esse reconhecimento, listamos cinco motivos pelos quais a série já pode ser considerada icônica. Confira abaixo: 

Atrizes e suas personagens

Pelas atrizes, estamos falando de mulheres fortes com personagens fortes. Nicole Kidman, Reese Whiterspoon, Laura Dern, Shailene Woodley e Zoë Kravitz conduzem a narrativa, se juntando para dar vida ao grupo de mulheres centrais da trama. 

Elas são bem conhecidas na cidade de Monterey e muitas pessoas desconfiam que cada uma guarde segredos para lá de perturbantes. Nicole Kidman dá um show de atuação com sua personagem Celeste, mãe de gêmeos que ainda é assombrada pelo fantasma de seu marido morto, Perry (Alexander Skarsgård).

A segunda temporada tenta lidar com a morte dele e com o segredo guardado pelas mulheres da noite de sua morte. A função de antagonista na série logo é passada para uma nova personagem na história, mas uma velha conhecida das telonas: Meryl Streep é Mary Louise, mãe de Perry que chega à cidade para “ajudar” Celeste, mas acaba enfraquecendo-a dentro de sua própria casa ao tentar entender o que aconteceu com seu amado filho.

Não somente é uma das mulheres mais reconhecidas e bem pagas da indústria, somando ao longa da carreira nove Globos de Ouro e três Oscars, mas dá vida à sogra de Celeste de maneira soberba. Amamos odiá-la como a rude mãe de Perry, o que demonstra sua ótima atuação.

Mas além da irreverente Meryl, as outras cinco personagens também são recordistas nas premiações, sendo grandes mulheres dentro e fora das telas. Juntando-se à trama, tem-se Madeline Mackenzie (Reese Whiterspoon), Renata Klein (Laura Dern), Jane  Chapman (Shailene Woodley) e Bonnie Carlson (Zoë Kravitz).

É válido ressaltar que essa não foi a primeira vez que elas se encontraram na ficção. Zoë Kravitz já contracenou ao lado de Shailene Woodley na saga Divergente (2014-2016), enquanto Reese já dividiu a tela com Meryl Streep em O Suspeito (2007). Laura Dern e Reese Whiterspoon atuaram juntas em Livre (2014), longa que recebeu indicação a dois Oscars. 

Direção

Com um elenco de primeiro escalão, a direção da produção não poderia ser diferente. As duas temporadas tiveram diferentes diretores, com Jean Marc Vallé no comando da primeira temporada e Andrea Arnold no comando da segunda. 

Todos os episódios dessa segunda temporada foram dirigidos por Andrea, na qual o roteiro ficou a cabo de David E. Kelly em conjunto da autora Liane Moriarty. Andrea é ganhadora de um Oscar por seu curta chamado Wasp. Ela também dirigiu quatro episódios da famosa série Transparent, da Amazon Prime, e realizou os longas Docinho da América (2016), O Morro dos Ventos Uivantes (2011) e Aquário (2009).

É interessante notar o trabalho de edição e da direção da segunda temporada, na qual Arnold brinca muito bem com cortes e silêncios, assim como todos os episódios começam com um flashback ou uma memória dolorida para as protagonistas.

Histórias e tabus

Big Little Lies aborda uma ficção pautada na realidade. Não é uma série fantasiosa e nem de longe arrastada a ponto de inventar seus próprios rumos de acordo com pressões comerciais. Ao acompanhar a vida das cinco mulheres centrais e de todos ao redor delas, nos sentimos quase que em casa, nos identificando com os problemas familiares e com a atribulada vida social. 

Temas recorrentes mas ainda tidos como tabu são explorados na série, a exemplo da traição de Madeline contra seu marido Ed (Adam Scott), o abuso sexual e psicológico sofrido por Celeste por seu marido Perry, a infância traumática de Bonnie, o estupro sofrido por Jane pelo próprio Perry e também e a perda de todo patrimônio de Renata construído aos poucos, culpa de seu marido Gordon. 

É importante notar como esses temas norteiam a vida das protagonistas e como os segredos vão sendo revelados aos poucos, como num efeito dominó. As vedades vão sendo reveladas, na qual até as crianças se envolvem na trama a refletir o comportamento de seus pais.

Max, um dos gêmeos filho de Perry com Celeste, estrangula Amabella, filha de Renata, na escola, repetindo assim o padrão de seu pai contra sua mãe. E Chloe Mackenzie, filha de Madeline, acaba sendo uma mini versão afiada de sua mãe. 

Trilha Sonora

A trilha sonora das temporadas foi peculiarmente muito bem escolhida. As músicas, que vão do rock anos 1980 ao pop atual, se encaixam de acordo com a cena e com os diálogos das personagens. Logo de cara, o que chama a atenção é a melódica Cold Little Heart, música de Michael Kiwanuka, que ganhou uma versão mais lenta e instrumental na abertura da segunda temporada. 

Além da já icônica e grudenta abertura, têm-se também alguns tributos a reis da música mundial ao longo dos episódios. No fim da primeira temporada, o show de talentos da escola Otter Bay teve o tema dos anos 1960, na qual It’s Now or Never e Treat Me Nice de Elvis Presley são interpretadas pelo elenco.

Zoë Kravitz, no papel de Bonnie, arrasa nos vocais na música Don’t, também de Elvis. Enquanto o evento ocorre e as músicas românticas tocam, Perry morre nas escadas do local.  

Um dos momentos mais marcantes da série foi também a festa de aniversário de Amabella (Ivy George), filha de Renata Klein. No quarto episódio da segunda temporada, após Renata e Gordon decretarem falência de seus negócios, a mãe de Amabella decide dar uma grande festa dos anos 1980 para fazer sua filha feliz.

Ao ritmo de Lucky (Donna Summer), How Deep is Your Love (Bee Gees) e Disco Inferno (The Tramps), as personagens dançavam e cantavam caracterizadas no tema disco

Mas as homenagens aos anos 1960 e 1980 não param por aí. Vale ressaltar que o nome do filho de Jane (Shailene Woodley) não é tão ordinário assim. Ziggy Chapman (Iain Armitage) faz referência a Ziggy Stardust, uma das personas de David Bowie criada em 1972, na qual lançou o álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, que virou febre mundial, saindo na turnê Ziggy Stardust Tour.

Elenco mirim

As crianças compõem um quadro significativo dentro da trama. Além das excelentes atuações mirins, elas formam toda a atmosfera ingênua e ao mesmo tempo refletem as atitudes de seus pais nas série. Todas as cinco protagonistas têm filhos pequenos que estudam na mesma escola, inclusive na mesma classe.

Iain Armitage é Ziggy, fruto de um estupro de Perry contra Jane Chapman. Fora de Big Little Lies, ele ficou conhecido por dar vida ao jovem Sheldon de The Big Bang Theory, no spin-off The Young Sheldon.Também contracenou ao lado de Jane Fonda em 2017 no filme Nossas Noites. 

Os gêmeos Max e Josh, filhos de Perry e de Celeste, são interpretados também pelos gêmeos na vida real Cameron Crovetti e Nicholas Crovetti, que fizeram suas estreias na televisão simultaneamente em Big Little Lies.

Filha de uma das mulheres de atitude mais forte na série, Amabella Klein é fruto do relacionamento entre Renata e Gordon Klein (Jeffrey Nordling). A pequena Ivy George dá vida à frágil e muitas vezes incompreendida Amabella, na qual sofre até uma agressão física de um dos gêmeos de Celeste. Com 12 anos, ela estreou nas telonas já no horripilante Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma, e chegou a participar de um episódio do revival de Twin Peaks.

Completando o quadro de crianças, tem-se Chloe Mackenzie (Darby Camp) e Skye Carlson (Chloe Coleman), filhas de Madeline e de Bonnie respectivamente. Enquanto Skye não é tão explorada na série, Chloe Mackenzie demonstra ser a mais ativa e curiosa de todas as crianças. Logo nos primeiros episódios, ela surpreende a todos por ter uma língua afiada e comentários ácidos.

++'Big Little Lies': Divulgada prévia tensa do último episódio da temporada

Assim, com o término da segunda temporada, Big Little Lies conclui um capítulo da qual a televisão estava precisando: grandes artistas e uma equipe digna de um longa metragem, fazendo com que nos identificássemos de perto com questões tidas como tabus na vida cotidiana.  

Colocando um ponto final na série ou não, a verdade é que gostaríamos de ver mais da vida das cinco mulheres centrais de Monterey. 

O último episódio de Big Little Liesserá exibido no domingo (21), na faixa das 22h da HBO, e poderá ser visto a qualquer momento no serviço de streaming HBO Go.

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