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Para viver líder de facção na Netflix, Seu Jorge pediu ajuda de Mano Brown e fez crochê entre as gravações

Ator estrela Irmandade, nova série nacional da plataforma da streaming que mostra a violência no sistema carcerário

Pedro Rocha Publicado em 09/10/2019, às 18h25

, , Lee Taylor, Pedro Morelli, Pedro Wagner, Seu Jorge, Naruna Costa, Danilo Grangheia e Wesley Guimarães na coletiva de imprensa de Irmandade, em São Paulo.
, , Lee Taylor, Pedro Morelli, Pedro Wagner, Seu Jorge, Naruna Costa, Danilo Grangheia e Wesley Guimarães na coletiva de imprensa de Irmandade, em São Paulo. - Helena Yoshioka/Netflix

Entre as gravações de Irmandade, nova série brasileira da Netflix que estreia no dia 25 de outubro, a atriz Naruna Costa, protagonista da trama, flagrou seu irmão na ficção, Seu Jorge, fazendo crochê para relaxar. 

Os momentos de distração eram necessários. O papel do ator/cantor na série, Edson, é intenso: um homem que está preso há 20 anos e que comanda, de dentro da cadeia, uma facção autointitulada Irmandade. 

Foram 85 dias de filmagens em mais de 40 locações. A principal delas é o presídio em que Edson está recluso. As gravações aconteceram numa ala desativada de uma cadeia em funcionamento em Curitiba e exigiram muito esforço de Seu Jorge. Numa coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (9), em São Paulo, para apresentar a série, ele revelou que chegou a não apenas comandar uma rebelião na ficção, mas também nos bastidores, ao orquestrar uma equipe com 500 figurantes. 

++ Seu Jorge lidera facção criminosa no primeiro trailer de Irmandade, da Netflix

"Era uma cena perigosa, muita gente com paus e pedras", lembra. "Não foi nada estereotipado, a gente viveu." Como seu personagem precisava estar no alto, o próprio ator guiou os figurantes que estavam no pátio, numa cena de rebelia. Ao final, rolou um churrasco, algo raro de acontecer com figurantes. "Foram bem cuidados. Figurantes não, um elenco de apoio."

O esforço de Seu Jorge, fluminense de Belford Roxo, veio também de se transformar num criminoso paulista. "Tive uns amigos que me ajudaram, como o Mano Brown", ele diz, para saber como "os caras" falariam na vida real. Brown aparece na série na trilha sonora, que conta com músicas dos Racionais MC's.

Mas o principal desafio, para ele, veio de gravar ao lado de presidiários de verdade, que acompanhavam as filmagens das janelas de suas celas e do pátio na ala ao lado. "Interfere no trabalho. Eles gritavam 'representa nós'", relembra. "Eles descobriram que não ia ter o induto de Natal, todos estavam tristes. A gente ficou sabendo. É estranho. Saí de lá com a ideia de que a liberdade é algo muito importante."

Com sua atuação, Seu Jorge rouba a cena, mas a história é contada sob o ponto de vista da personagem de Naruna, Cristina. Uma jovem advogada do Ministério Público, ela entra em contato com o irmão pela primeira vez em 20 anos e vê a sua vida virar de cabeça para baixo ao se deparar com o dilema de salvá-lo ou não. "Ela tenta viver corretamente, mas a ideia de lei, de certo e errado, vai se desfazendo conforme ela encontra outras realidades", analisa. "A pergunta 'o que eu faria' ainda ressoa."

Naruna Costa como Cristina e Seu Jorge como Edson em Irmandade. (Divulgação/Netflix)

 

Lugar de fala e ambientação

A série se passa na São Paulo dos anos 1990 e não por acaso. De acordo com o criador da série, Pedro Morelli, a ideia era mostrar a história sob um ponto de vista inédito na dramaturgia brasileira, a de uma mulher. Para isso, teria que ser numa era sem smartphones. 

"Sem celular, a figura da mulher era mais necessária para o crime organizado", ele explica. "Tinha que ser nos anos 90."

++ Confira as séries e filmes que estreiam na Netflix em outubro

A infância dos protagonistas, nos anos 1970, também é mostrada na série e o elenco ajudou na escolha da locação. "Mostrei uma foto do local para Seu Jorge e Naruna e eles falaram que tinha que ser chão de terra", conta. No final, a locação escolhida foi uma comunidade em Cubatão, interior de São Paulo, que vive em palafitas. 

O cuidado da direção e da produção era não apenas parecer verossímel, mas também não avançar por lugares de fala. "Eu tenho plena consciência de que eu sou um homem branco e isso é um privilégio", diz Pedro Morelli. "Uma vez que eu estou nesse privilégio, acho que precisava falar sobre esse lado injusto. Para isso, me cerquei de pessoas que tinham um lugar de fala que eu não tenho."

Além de Naruna e Seu Jorge, a série conta com nomes como Wesley Guimarães como o irmão mais novo deles, Lee Taylor como o presidiário Ivan e Pedro Wagner como o outro líder da Irmandade, Carniça.

A série ainda não foi renovada para a Netflix, mas Morelli já tem planos para uma segunda temporada. Os oito episódios da primeira estreiam no dia 25 de outubro.