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Era Uma Vez em... Hollywood traz maturidade narrativa de Tarantino, mas faz piada com o que não tem graça

Confira a nossa análise sobre o nono (e penúltimo?) filme de Quentin Tarantino, que estreia nesta quinta-feira (15)

Pedro Rocha Publicado em 13/08/2019, às 16h26 - Atualizado em 15/08/2019, às 09h26

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Brad Pitt e Leonardo DiCaprio em Era Uma Vez em... Hollywood. Crédito: Divulgação/Sony Pictures

O cineasta Quentin Tarantino tem planos de parar a sua carreira no 10º filme. O nono, e possivelmente penúltimo, Era Uma Vez em… Hollywood, estreia no Brasil no dia 15 de agosto e é a prova de que ele não deveria se "aposentar" por agora.

Como o próprio nome já indica, o filme é praticamente um conto de fadas distorcido e contado por Tarantino. Uma história, sim, baseada em fatos reais, mas totalmente imaginativa e livre dos acontecimentos históricos. É a mente do cineasta viajando.

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Neste conto de fadas, ambientado em 1969 em Hollywood, a figura de princesa é de Rick Dalton, um ator que já fez várias séries de Faroeste de sucesso na TV, mas que agora está em decadência. O papel é de Leonardo DiCaprio, em uma das melhores atuações de sua carreira. Melhor até que no papel que lhe rendeu o Oscar, em O Regresso.

Dalton vive em seu castelo, uma mansão nos arredores de Hollywood, na rua Cielo Drive. Seu sonho é ser convidado para uma festa na casa do “príncipe encantado”, o casal formado pelo cineasta Roman Polanski (Rafal Zawierucha) e a atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que acabou se de mudar para a casa vizinha. É a sua chance de voltar ao mundo badalado de Hollywood, frequentado pelo casal – dois dos nomes que mais estavam em alta na época.

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Ao fazer isso, Tarantino cria o filme que mais é a sua cara e menos é a sua cara ao mesmo tempo. Calma, a gente explica.

Ao criar os personagens Rick e Cliff Booth, fiel ajudante/dublê de Dalton vivido por Brad Pitt, Tarantino faz uma ode a alguns de seus filmes e séries favoritos, no estilo Faroeste que marcou os anos 1950, e ao glamour decadente da década de 60.Tudo que gira ao redor dos personagens é cheio de referências e piadas – de cartazes de filmes fictícios, criados "de verdade" para seu longa, à comida da cachorrinha de Cliff. 

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Nomes reais da época, como Steve McQueen, Bruce Lee e a cantora Mama Cass aparecem, mesmo sem tanta necessidade para o enredo. O filme, inteiro, é um tributo a tudo que Tarantino mais gosta na sétima arte. Uma homenagem à Hollywood. Nisso, a história se constrói de uma forma leve e por si só. O cineasta mostra um amadurecimento ao não se apoiar na bengala da violência escrachada que marca sua filmografia.

Era Uma Vez em… Hollywood, em alguns momentos, tem uma leveza tão grande que nem parece Tarantino – mas logo em seguida vem alguma piada ou referência característica do diretor para nos lembrar de sua genialidade. É um frescor que o cineasta poderia adotar em mais filmes daqui para a frente.

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A violência clássica dos filmes de Tarantino, porém, está presente – e é algo bom e ruim ao mesmo tempo. Falar qualquer coisa sobre o enredo de Era Uma Vez em… Hollywood é soltar um spoiler, já que o filme guarda um grande plot-twist. Mas o que podemos dizer é que, quando acontecem, as cenas de violência animam e dão uma satisfação de reparação histórica no mesmo nível da morte de Hitler em Bastardos Inglórios. O que é ótimo.

Margot Robbie como Sharon Tate em Era Uma Vez em Hollywood. Crédito: Divulgação/Sony PicturesCaption

 

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Entretanto, há no longa uma grande exploração da violência contra as mulheres, o que é triste de se ver na obra de um diretor que fez um filme tão incrível como Kill Bill. Não podemos falar muito para não estragar o enredo, mas um dos principais personagens é suspeito de ter matado a esposa e isso vira uma grande piada. Há, inclusive, uma cena que sugere que ele a matou depois de ouví-la reclamando. E todos riem. Da morte de uma mulher. 

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A salvação de Tarantino, se é que existe, porém, vem na abordagem doce de Sharon Tate. Margot Robbie, mesmo sem muitas falas, faz uma linda homenagem à atriz. Todas as mulheres do filme, aliás, se destacam em suas atuações, desde Lena Dunham e Dakota Fanning, como loucas seguidoras do culto de Charles Manson, até as breves participações de Maya Hawke e da atriz mirim Julia Butters, que rouba a cena como uma garota-prodígio que contracena com Rick Dalton.

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Por falar em roubar cena, prepare-se. Para quem ama "doguinhos", Era Uma Vez em… Hollywood oferece uma baita atuação canina por conta da pitbull Sayuri, que interpreta Brandy, a cachorrinha do personagem de Brad Pitt. Além de carismática, Brady está na grande cena de ação que apresenta o plot-twist do filme. Não por acaso, Sayuri "recebeu", no Festival de Cannes deste ano, o troféu Palma Canina.